top of page
Buscar

38 Feminicídios e Portas Fechadas: A Cruel Realidade das Mulheres no Interior de SC

há 6 dias
3 min de leitura

Muitas mulheres enfrentam o dilema da violência acreditando que o isolamento e o silêncio são a única saída. Mas não estamos sozinhas, e nós não podemos virar estatística. No último dia 12 de setembro de 2026, o nosso Grupo de Apoio abriu espaço para um debate doloroso e urgente conduzido pela ativista feminista e terapeuta Simone Medeiros Martins. O foco do nosso encontro? As graves fragilidades das redes de proteção às mulheres em situação de violência, especificamente nas cidades do interior e nas zonas rurais de Santa Catarina.  


A realidade fora dos grandes centros é cruel. A violência não escolhe endereço, mas o amparo do Estado, infelizmente, escolhe.


A Geografia do Desamparo e o Isolamento


Para as mulheres de pequenas comunidades, pedir socorro é um desafio que esbarra em barreiras estruturais. Simone destacou que muitas mulheres rurais enfrentam o isolamento geográfico, a ausência de transporte e até mesmo proibições familiares para coisas básicas, como aprender a dirigir.  


  • O cenário catarinense é alarmante: foram 51 casos de feminicídio registrados em 2024 e, até 30 de agosto de 2026, o estado já somava outros 38 feminicídios.  

  • Mais de 527 mil mulheres vivem na área rural catarinense.  

  • Muitas vítimas desistem de denunciar por falta de delegacias com atendimento especializado 24 horas, ou porque delegados de cidades pequenas costumam ser amigos dos agressores.  

  • Apenas 10 municípios do estado mantêm abrigos institucionais para mulheres.  

  • Santa Catarina é o único estado brasileiro sem a Casa da Mulher Brasileira operando; a unidade de Tubarão está construída, mas permanece de portas fechadas por falta de vontade política.  


O Mito da Representatividade e o Avanço Conservador


Simone nos trouxe uma reflexão central: a violência contra a mulher só vai de fato recuar quando alcançarmos a paridade de 50% de ocupação nos espaços de poder. Contudo, não basta colocar mulheres lá; é preciso garantir o letramento político e a independência financeira da população.  

A ausência do Estado abre espaço para outras forças. Movimentos conservadores têm se articulado para dominar conselhos tutelares e municipais, erguendo barreiras silenciosas contra direitos fundamentais, como o acesso ao aborto legal para crianças vítimas de estupro. Além disso, dados mostram que 182 municípios catarinenses não possuem o órgão da Procuradoria da Mulher oficializado.  


Onde o Estado se Omite, Nós nos Articulamos


Diante dessa ausência governamental, a responsabilidade de tecer essas redes de apoio e proteção recai sobre os movimentos feministas e sociais. Precisamos mapear os vazios estruturais das nossas cidades, cobrar a criação de Procuradorias da Mulher, promover audiências públicas com lideranças religiosas (exigindo que encaminhem vítimas em vez de apenas aconselhá-las a perdoar) e expandir grupos reflexivos preventivos em escolas e empresas.  


Acreditamos que o acolhimento cria força. Seguiremos em marcha, juntas e potentes.  


A sua prefeitura sabe quantas mulheres estão sofrendo caladas nas áreas rurais hoje ou o poder público local vai esperar o próximo feminicídio para fingir que se importa? O que você, junto ao movimento, vai fazer para cobrar a estruturação dessa rede na sua cidade?


Material da Palestra: Aprofunde-se no Tema 


Para quem não pôde participar ou quer consultar os dados, a Simone Medeiros Martins disponibilizou o material completo da sua apresentação, estruturado com a colaboração da redatora e pesquisadora Bárbara Branco. Lá você encontra as estatísticas, fontes e propostas práticas para mapear e cobrar a rede de proteção no seu município:




 
 
 

Comentários


bottom of page