A Política da Impotência: Como a Raiva Pode Ser Nosso Motor de Transformação
Você já sentiu que o seu cansaço, a sua insegurança ou o seu medo são falhas exclusivamente suas?

No nosso último encontro aberto do Ecoar Mulheres, recebemos a cientista política e especialista em psicanálise Talita Abdala para um debate urgente sobre o esgotamento social e as táticas de dominação política que enfrentamos hoje. E a primeira lição que aprendemos foi: o seu medo não é uma falha, é um projeto.
Como bem nos lembra Gilles Deleuze, o poder requer corpos tristes para dominá-los. A tristeza, o medo e a impotência não surgem por acaso; são políticas de dominação feitas para quebrar a nossa resistência, capturar o nosso desejo e nos fazer depender de "messias" e salvadores externos que prometem realizar por nós aquilo que perdemos a força de criar.
O que aprendemos com Talita Abdala:
A Realidade é Estrutural: Nossas inseguranças são frutos de um sistema construído para gerar falhas. Compreender essa realidade é a primeira condição para modificá-la.
A Raiva é Motora: Somos constantemente ensinadas a moralizar e calar a nossa raiva. Mas quando a reprimimos, corremos o risco de sermos moldadas pela psicologia das massas e perdermos o nosso senso crítico. Acolher a raiva e canalizá-la de forma estratégica — antes que ela nos adoeça — é essencial para rompermos com o conformismo.
Autocuidado Radical: Cuidar de nós mesmas, nesse contexto, vai além do óbvio. É olhar para os nossos assombros internos, respeitar as nossas memórias e, principalmente, recuperar as nossas condições básicas (respirar bem, comer bem, ter um espaço seguro) antes de partirmos para a ação coletiva.
Exercício de Libertação: Durante o encontro, fomos provocadas a realizar uma prática de autocuidado radical: escrever no papel sobre a nossa raiva contida, as nossas dores e os nossos contextos difíceis. Depois, rasgar, queimar ou usar o movimento do corpo para colocar tudo isso para fora. Ao darmos nome às emoções reprimidas, paramos de repetir padrões tóxicos de dor e voltamos a integrar a nossa psique.
Nunca se esqueça: os nossos direitos não são permanentes e exigem vigilância constante. Mas só a soma das nossas pequenas revoluções e o resgate da nossa potência coletiva conseguirão derrubar a política da impotência.
A gravação completa deste encontro já está disponível no nosso canal do YouTube. O material que a mediadora compartilhou estó aqui:
Compartilhe esse post com aquela mulher que precisa lembrar da força que tem. Juntas somos potência!



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