Encontro Inaugural - Ecoar Mulheres
O que Aprendemos no Nosso Encontro Inaugural
No dia 25 de julho, uma data de profunda força e significado — o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha —, a rede Ecoar abriu suas portas virtuais para um momento marcante: o nosso Encontro Inaugural. O debate central foi: "Como as sociedades em cidades pequenas se organizam diante da violência de gênero e a importância do espaço escolar como ambiente de acolhimento infantil". Nos reunimos para partilhar dores, mas, acima de tudo, para semear caminhos de cura coletiva.
A potência do encontro: Ousa me conquistar
Iniciamos nossa jornada sob a licença poética dos versos trazidos pela nossa querida mediadora, a Professora Karume Franco: "Eu sou muitas. Multidões moram em mim". Esse chamado nos conectou com a nossa subjetividade mais profunda, despindo-nos por alguns instantes dos papéis sociais fixos de mães, filhas ou profissionais, para dar voz às mulheres inteiras que somos.
O tema central nos levou a refletir sobre a realidade das pequenas cidades. Questionamos a falsa sensação de segurança dessas localidades e como, muitas vezes, a calmaria aparente esconde o isolamento da dor e severas barreiras políticas e institucionais que impedem o enfrentamento real da violência de gênero.
A "Devagarza" como Ferramenta de Escuta
Um dos conceitos mais belos partilhados no encontro foi a devagarza — descrita como o ato deliberado de desacelerar o pensamento para permitir que a mente processe a vida com sensibilidade e calmaria. Em um mundo que nos exige pressa e produtividade ininterruptas, escolher a desaceleração é um ato de resistência e o primeiro passo para construirmos uma escuta empática e generosa.
Olhando para as nossas cidades, sob as lentes de pensadores como Milton Santos, compreendemos que os espaços urbanos historicamente foram desenhados para proteger a propriedade, e não as pessoas. Por isso, a articulação de redes independentes de apoio mútuo e a transformação da escola em um ambiente de proteção infantil antirracista e interseccional são as ferramentas mais legítimas que possuímos para subverter essa lógica.
Nossas Vozes e Próximos Passos
As partilhas finais reafirmaram que, embora os desafios estruturais em municípios menores sejam complexos e por vezes intimidadores, nenhuma de nós precisa caminhar sozinha. A potência de evocar nossa ancestralidade e a liderança histórica de mulheres como Teresa de Benguela nos mostram que a união de histórias diversas é capaz de erguer verdadeiros quilombos contemporâneos de proteção e afeto.
Terminamos recitando em uníssono o nosso manifesto, certas de que:
"O acolhimento cria força, a força inspira ações e as boas ações transformam comunidades."
Acesse o Material Completo do Encontro
Queremos que as reflexões deste dia ecoem ainda mais longe. Por isso, já disponibilizamos todas as ferramentas utilizadas para você estudar, replicar em sua comunidade ou usar como ponto de partida para debates:
Apresentação de Slides: Acesse o material visual detalhado utilizado pela Professora Karume Franco, contendo as provocações, conceitos e as referências teóricas de grandes intelectuais como bell hooks, Conceição Evaristo e Sueli Carneiro.
Assista na Íntegra: Perdeu a transmissão ao vivo ou quer rever os momentos mais emocionantes? O vídeo com a gravação completa do encontro já está disponível no nosso Canal do YouTube (https://www.youtube.com/@aecoarmulheres/videos).
Rede Ecoando: Quer continuar essa conversa de forma mais reservada? Utilize o nosso Fórum Online para interagir com a rede.



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