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O Caminho do Bem Viver: Autocuidado, Território e o Trabalho Invisível das Mulheres

31 de ago.
2 min de leitura

No dia 15 de agosto de 2026, o Grupo de Apoio da Ecoar Mulheres reuniu-se para uma profunda reflexão sobre como cuidamos de nós mesmas e dos territórios em que vivemos. Sob a mediação de Ellana Silva — socióloga amazônida que atua no Ministério da Educação com foco em políticas de juventude —, fomos convidadas a repensar o esgotamento feminino, questionar as expectativas sociais e buscar alternativas para uma vida genuinamente equilibrada.  


A Calma, o Silêncio e a Resistência


A sociedade contemporânea empurra as mulheres para uma corrida incessante por produtividade. O encontro abriu-se com a leitura do poema "Da calma e do silêncio", de Conceição Evaristo, propondo um contraponto a essa exigência contínua:  

"Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem. (...) Nem todo viajante anda estradas, há mundos submersos que só o silêncio da poesia penetra."  

A poesia lembrou o grupo de que pausas, momentos de observação e silêncio não são sinais de fraqueza ou ineficácia. O descanso é um requisito essencial para respeitar nossos ritmos naturais, nossa subjetividade e nossos ciclos. Reivindicar o direito de desacelerar é uma forma de existir plenamente e resistir ao esgotamento.  


Bem-Estar vs. Bem Viver


Ellana trouxe uma diferenciação fundamental embasada no pensamento do líder e ativista Ailton Krenak: existe uma diferença profunda entre o modelo capitalista de "bem-estar" e a concepção indígena de "bem viver".  


  • Bem-estar capitalista: Baseado no consumo, na competição, no acúmulo material e na exploração dos recursos da natureza.  

  • Bem Viver: Não significa viver melhor do que os outros ou acumular bens, mas sim aprender a viver em equilíbrio com a Terra e em comunidade. É um modelo pautado na reciprocidade, no cuidado coletivo e no respeito a todas as formas de vida.  


A Sobrecarga do Cuidado e o Trabalho Invisível


Durante o debate, analisou-se como as estruturas sociais afetam a rotina das mulheres, impondo a responsabilidade quase exclusiva pelo cuidado com filhos, parceiros, familiares e pessoas idosas.  

Diante da prevalência da misoginia e da violência de gênero, muitas mulheres passam a operar em um "modo de sobrevivência", dedicando-se inteiramente aos outros e deixando de reconhecer as próprias necessidades.

  

Historicamente, o sustentáculo do bem viver nas comunidades tem sido o trabalho invisível e não remunerado realizado por mulheres:  

  • A preservação das memórias e histórias da família.  

  • O ensino e a manutenção de tradições e receitas.  

  • A organização de eventos, redes de solidariedade e liderança comunitária.  


Embora esse trabalho não possua valor comercial dentro da lógica de mercado, ele é a base fundamental que mantém a coesão social e o legado humano.  


Educação para uma "Terra Viva"


A mediação também destacou o papel transformador da educação. O ensino não deve ser reduzido à formação técnica voltada à exploração de mercado, mas sim direcionado para formar seres humanos capazes de habitar uma "Terra viva".  

Para construir o bem viver, é necessário um modelo educacional que dialogue com as famílias e territórios, estimulando as próximas gerações a se relacionarem com o planeta a partir do pertencimento e da preservação, e não do consumo ou da competição.  


O Grupo de Apoio da Ecoar Mulheres segue construindo espaços seguros de troca e fortalecimento coletivo todo Sábado, 10h. Acompanhe nosso site para mais atualizações e reflexões dos nossos encontros.




 
 
 

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